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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Saúde dos professores em alerta
Muitos deles encaram três turnos de jornada de
trabalho. E precisam se deslocar entre diferentes pontos para executar suas
funções. O acúmulo de serviço e a falta de estrutura adequada para
desempenhá-lo são queixas frequentes. Esses são alguns dos ingredientes da
rotina dos professores da rede pública, o que faz com que a saúde desses
profissionais esteja em alerta.
A carreira no magistério, já considerada pela OMS (Organização Mundial
da Saúde) uma das mais estressantes, tem afastado cada vez mais docentes da
sala de aula. Na rede estadual de São Paulo, em que atuam 220 mil
professores, são observados 92 afastamentos por motivo de saúde por mês, ou
seja, cerca de 33 mil docentes longe das salas anualmente. Destes, 19
mil são em função de depressão. Procurado, o governo do Estado não se
pronunciou.
Pesquisa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do
Estado de São Paulo) de 2010 mostra que também estão entre os principais
motivos para o afastamento problemas na voz, LER (Lesão por Esforço
Repetitivo) e obesidade. "Isso é consequência de jornada estafante,
falta de infraestrutura e salas de aula superlotadas", observa a
presidente da entidade, Maria Isabel Noronha.
O levantamento destaca ainda que entre as principais queixas dos
professores estão superlotação das salas de aula (66,2%), jornada excessiva
(60,1%) e violência nas escolas (57,5%). No âmbito municipal, a situação
também é preocupante. Entre Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e
Ribeirão Pires, o índice de profissionais afastados em 2011 foi de 31% do
total de 10.540 educadores. São Bernardo lidera o ranking com 2.637 dos 4.400
professores da rede municipal impedidos lecionar no ano passado por doenças
no aparelho respiratório, nos olhos e problemas psiquiátricos.
Na visão da professora de Psicologia da Educação da Faculdade de
Educação da USP Sílvia Colello, é preciso separar as dificuldades que
acometem os educadores em dois tipos: desgastes físicos e emocionais. "A
desvalorização do docente pela baixa remuneração e pouco reconhecimento gera
doenças sociais, como a depressão", diz.
O tema é pauta de discussão nos sindicatos municipais, estaduais e
federais da categoria. Para a secretária geral da CNTE (Confederação Nacional
dos Trabalhadores da Educação), Marta Vanelli, a implantação da Lei do Piso
(nº 11.738) é parte da solução do problema que afeta professores em todo o
País. A recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas), segundo a
educadora de Santa Catarina, é que 50% da jornada de trabalho seja dedicada a
atividades extraclasse. "Estamos tentando passar de 20% para um terço,
mas está bem difícil", comenta.
Segundo Marta, a OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta que o
professor só trabalhe em um período, recomendação pouco seguida. Desempenhar
outras funções na escola é alternativa Nem sempre o afastamento da sala de aula
significa ficar em casa. Os educadores são remanejados para outras funções
dentro da unidade escolar - a chamada readaptação. A depressão afastou do
trabalho há cinco anos a educadora Valéria do Nascimento, 45 anos. Desde
então, a funcionária de escola municipal em Diadema exerce outras atividades
dentro da unidade, na secretaria e biblioteca. A vontade de voltar a lecionar
existe, mas a intolerância ao barulho a impede. Professora há 23 anos, ela
diz que ensinar é desgastante porque obriga o profissional a transmitir
conhecimento e auxiliar na resolução de problemas sociais dos alunos.
Outra dificuldade citada é a tarefa de lidar com temas como bullying.
Em São Bernardo, nódulo nas cordas vocais resultou, há quatro anos, no
afastamento de professora de 57 anos, que preferiu não se identificar. Após
período longe do giz e da lousa, ela já pode voltar ao trabalho nas redes
estadual e municipal. "A principal dificuldade é a falta de limite dos
estudantes, além de ter de competir com o som da rua."
AMEAÇA
A docente Miza Possidônio, 44, chegou a repensar a carreira exercida
há 14 anos em escolas estaduais e municipais de Santo André após sofrer
ameaça de morte de estudante do 9º ano do Ensino Fundamental. Por receio de
que a família fosse prejudicada, a educadora decidiu registrar boletim de
ocorrência. "Espero que melhore a vida dos professores e que passem a
ser mais respeitados", diz.
Apesar da intimidação, ela continua lecionando. A Secretaria da
Educação do Estado informou que a direção da unidade convocou a professora e
a aluna para reunião e que os responsáveis pela estudante também serão
chamados. Além do Conselho Tutelar ser acionado, o caso é acompanhado pelo
professor-mediador da escola.
Prefeituras intensificam acompanhamento profissional Na rede municipal,
as prefeituras garantem intensificar o acompanhamento dos educadores. De
acordo com as administrações públicas, também são feitas ações com intuito de
melhorar as condições de trabalho, como implantação de material didático
adequado e capacitação profissional.
Em Santo André, desde 2009 os docentes são monitorados por juntas
médicas. Além disso, a administração destaca intervenções no ambiente escolar
nos aspectos estéticos e de limpeza, investimento em melhoria salarial e
cursos. Outro ponto é a gestão participativa que dá ao professor oportunidade
de manifestar-se. São Bernardo avalia todos os servidores por meio do Serviço
de Saúde Ocupacional.
Nos próximos meses, serão agendados exames periódicos dos professores
para acompanhamento e prevenção de problemas. Na tarefa de melhorar as
condições de trabalho, é feito fortalecimento dos professores e gestores
quanto às demandas encontradas no cotidiano das escolas. As unidades
escolares de São Caetano disponibilizam equipe técnico-pedagógica, inspetores
de alunos e auxiliares de primeira infância, além de recursos pedagógicos e
tecnológicos para auxiliar os educadores.
Para professores afastados, a Prefeitura oferece atendimento de
serviço médico e psicológico. Diadema opta por investir em suporte pedagógico,
formação continuada, infraestrutura adequada e mobiliário, além de se
comprometer com a melhoria da carreira e do salário com a implantação recente
do Plano de Carreira do Magistério. Ribeirão Pires informou que oferece
acompanhamento e avaliação periódica dos funcionários pelo médico do
trabalho. A Secretaria da Educação do Estado não respondeu aos
questionamentos.
Fonte: CNTE/Diário do Grande ABC
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
A diretoria do SINDEUS deseja a todo(a)s "FELIZ DIA DO(A)S PROFESSORE(A)S! "
Parabéns Professore(a)s!
“Sou professor a favor da decência contra o despudor, a
favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a
licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor
da luta constante contra qualquer forma de discriminação,contra a dominação
econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que
inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de
tudo.
Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática,
boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por
este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu
corpo descuidado, corre o risco de se amofinar e já não ser testemunho que deve
ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste”.
Paulo Freire
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